Cara Julieta, tenho que lhe confessar que de muitas amarguras tenho passado. Assim como tu passastes com teu Romeu, tenho passado com o meu, mas de forma estranha à tua.
De amor, nada sei, mas dele sofro como se me fosse verdadeiramente familiar. Tenho em mente tuas grandes e belas falas de amor. Formosas tal qual à tua imensa beleza; e me satisfaz tê-las em mente. Mas apenas em mente permanecerão. Temo ao dizer que o meu Romeu não se faz presente em meu âmbito social. Somos divergentes, distantes. Nunca nos igualamos ao veneno que vós chamais de amor e que, se me permite a ousadia de vos acusar, vos matou e matou a vosso amante. Sinto por todos estes fatos, mas tardastes a decidir com vosso homem.
Entretanto, não quero ter a ousadia de opinar em vossos fatos mais íntimos, mas tenho em comparação com a minha história, a tua. Tenho passado dias cruéis com minhas frustrações de sentimentos outrora coloridos. Meu Romeu faz pouco caso de meu estado emocional. Faz pouco de mim e ainda possui a coragem e a audácia de me considerar uma louca! Ora, mas veja só que intrusão!
Mas, oh! Perdoe-me, cara Julieta! Perdoe minhas ferozes palavras de puro desabafo e agressão. Mas, infelizmente, tenho provado do mesmo veneno que o teu: o amor imensurável. Oh, queria eu ter a morte súbita do amor que outrora tu tivestes. Antes um amor platônico a um amor não correspondido.
Sinto-me como uma garotinha a lhe escrever esta carta. Mas, apenas pelo fato de estar pondo em rabiscos as fortes dores de meu coração, sinto-me confortável e descansada.
Agradeço tua imensa inspiração para Shakespeare. Afinal, nunca houve, em lugar algum, história de amor tão bela e sincera como a tua com o teu Romeu.
"As juras mais fortes consomem-se no fogo da paixão com a mais simples palha."
(William Shakespeare)
Com amor,
Vanessa
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